Sarna Virtual

Zine Sarna em sua forma digital. + literatura alternativa + notícias do mundo contra-cultural + jornalismo gonzo + ilustrações - hipocrisia



Quarta-feira, Dezembro 10, 2008

Limite?

Sabe, eu sempre espero a Morte
a Vida está aqui do meu lado
mergulhada em um copo de uísque

eu sempre espero a Morte
que ela venha em uma rajada de vento
ou em uma chuva gelada de lâminas

O certo é que vira, de alguma forma
Que a sua seda seja a mais macia
E que suas formas sejam as mais lindas

É o que eu posso esperar
da Morte

Ontem tive um pesadelo
Hoje ele se tornou realidade
Eu não acredito em coincidências

Sem o seu amor do que vale esse ar?
Eu posso poluí-lo com fumaças
Para não ver sua lembrança parada na janela

Onde bate a chuva, bate meu coração
A paisagem se modifica e vou esmaecendo
Com as mãos perdidas procuro algo

Para me encontrar
Para me encontrar
Em você

E que todo o pesadelo
Vire um sonho qualquer
E que toda a realidade
Sejam seus braços

Eu continuarei a viver
Para te (re)encontrar

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Segunda-feira, Novembro 17, 2008

Explica tudo!



Escutando Beethoven, olhando para esse janelão, e, à frente todo o zoológico humano escondido em meio das pedras. A humanidade, sim, pode ser divertida. Otimista? Talvez. Mas não é isso que quero tratar aqui.
Quero tratar, como um doutor sem doutorado e que leva essa merda toda a sério, quero tratar um pouco a humanidade com todo o humanismo de um coração torto. Aceito o desafio. Beethoven, compositor do século XIX, que nasceu surdo graças a problemas no parto. Nesse contexto, a palavra graça lhe cai muito bem. Um limite físico? O eterno melhor compositor do mundo está aí para mostrar que não existem. A questão é, o que a ciência pode explicar? Essa puta barata, que se vende por patrocínios e sobrevive de migalhas dos donos do poder... o que ela realmente pode nos explicar.

- Dona Ciência, como um surdo pode criar melodias como Allegro con Brio ou a famosa Nona Sinfonia? Como?

- Filho burro e ignorante. Nós, como deuses, proclamamos, ele escutava pelo cu...

- Ah!

Existem muito mais coisas inexplicáveis que explicáveis nesse mundo. E quando me chamam de revoltado eu, sinceramente, fico com preguiça de explicar. Porque o revoltado pode ser o cara que comprou farinha invés de cocaína, ou bosta de cavalo por maconha... Como dizia Camus – sim, adoro citações, como Martha Merdeiros -, ' revolto-me, logo, existo'. Uma bela adaptação da famosa frase de Sartre, que pode resumir a humanidade até os dias de hoje. Será que existe pensar sem indignação?
Sinceramente, não conheci nenhum homem ou mulher até hoje que consiga pensar algo que não seja sua profissão, seus filhotes ranhentos correndo pelo jardim, ter carro do ano, melhor motor, encontrar o supermercado mais barato e descobrir o político mais correto... não conheci ninguém que pensasse realmente e não fosse indignado por natureza; Pode ser pretensão sim, e, na realidade, é pretensão. O que seria da vida sem pretensão?


Como uma mente que utiliza, no máximo, 7% de sua capacidade, sendo que a média é 2%, pode explicar alguma coisa? Os métodos científicos são sim mais eficazes, mais eficazes para os macacos que somos. O problema da pretensão humana é ela ultrapassar limites éticos, ainda da forma mais vil, que é através do poder político e econômico. Ninguém vai descobrir mais do que o depositado na conta corrente. A imbecil da Dercy Gonçalves teve poucos momentos de lucidez na sua vida. Um deles foi quando falou em rede nacional para espanto do repórter que a entrevistava: 'Vocês acham mesmo que eles não teriam descoberto a cura da Aids se não fosse pela enorme indústria que está por trás?'. Resumindo, a indústria farmacêutica, dos preservativos, dos hospitais particulares, entre outros. E a ciência? Onde será aberta a conta dessa vez? Ah, esses bancos, cada vez cobrando mais juros e taxas... Vamos fazer ciência na Índia?

E as religiões? Piores ainda. Sim, o meu humor está acabando. Acabou Beethoven na vitrola que agora grita Schubert. Mesmo dessa janela, dessa distância toda, eu posso ouvir algum zumbi(do) que diz lá 'treme treme a bundinha' ou 'chão chão chão'.... Afinal, o Deus há de perdoar seus pecadores. Amém! Quem quer mesmo explicar o mundo que não conhecemos? O que é mais louvável: o padre, o pastor ou o cientista? A diferença é mínima se formos analisar. Todos julgam conhecer o mundo, todos têm nos dogmas, seus fetiches existenciais e todos têm na conta corrente o seu sangue, seu combustível para continuar rodando a roda podre de moralismos pútridos que regem a humanidade. Ah, com 2%, minha gente...
Eu poderia prever muita coisa aqui, mas o mundo já conta com mentirosos demais.






'A verdade é um acordo entre mentirosos'

Wolff – pseudônimo



Cansei.




Diego CR
11/11/08

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Domingo, Novembro 09, 2008

INFERNO ESQUIZOFRÊNICO


Eu tive um sonho
Ele começa no inferno
Todo mundo a beber e berrar
As luzes entravam na minha mente
Eram vermelhas e verdes ou azuis

Tarde da noite
Não existiam mais bares abertos
E meu fígado era sedento pelo seu sangue
Por se sentir vivo, por mais doloroso que seja
Meu fígado exigia!

As luzes da cidade foram se apagando
O mundo dormia normalmente
Vendo Chuck Norris na platinada
Enchendo suas cabecinhas de lixo cultural
Importado pelo bem estar da nação

Não existiam transportes para sair dali
Era como estar preso em outro inferno
Que não o social
Esse submundo tem as mesmas regras podres
A diferença é sinceridade, ninguém escondido
Através de perfumes ou roupas caras

Preciso ir embora
Um táxi, talvez?
Não tinha ali
A gerente do bar chama alguém
Quanto vai dar essa corrida?
Uma vida poderia pagar?

Era uma bicha depravada cheia de reboco
Peruas do século 21
Coma-me! disse a pútrida cicerone
Preciso sair desse inferno!
Clap, clap!

No meio do caminho um sinal fechado
Um canivete que, por descuido, levava do lado do carona
Tiro-o com cuidado do estojo sujo onde a morte aguarda
Sangue no banco sujo de fluídos corporais
Escorre rua abaixo, um verme morto
Uma vítima social

Dirijo o táxi vermelho
De sangue, de morte, de vida
Chego em casa
Limpo o sangue da calça
A cama me espera
Amanhã será uma nova batalha


Diego CR




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Domingo, Outubro 26, 2008

FANTASMAS



Numa noite bêbaba e chapada de devaneios
Deliciosas orgiais ocorriam no meu cérebro...



LOVE ME TWO TIMES – toca na latinha eletrônica





Ah, a linguagem moderna. Todos são fakes!
Inescrupulosamente manipulados
para sentir e “amar” da maneira que os proprietários da ordem querem.

Porque, no mundo nada há além de amor e ódio, nada.
Meu radicalismo não aceita meio-termos,
hipocrisias endêmicas que infectam todos os corações.

Eu não vou acreditar. Podes dançar, rebolar bem na cama e fazer o amor perfeito,
Omeletes com torradas na manhã ensolarada
Eu não vou acreditar! És fake...mas podes ser um fake como eu...

Juntando almas com laços de lágrimas
Nossos mundos se encontram
Big- bang que ocorre em mim

Não me diga que não teve amor
Porque me odiarás
Não use de artifícios tão hipócritas

A indiferença é a fuga da humanidade
Uma droga injetada direto na veia
Que comprime e racionaliza o coração

Ah, Orta! Minha terapia não me tira desse tédio
O meu desespero existencial não está na bula
Corte ou encha a minha aorta, mas não substitua meu sangue...

Não substitua por essa tecnologia letal
Que mata em nome da moral
E sobrevive com uma pena capital

_________________________________________________________________
Não queira se vingar do mundo
Ele apenas foi o terreno para sua existência desgraçada
Não julgues ninguém pela sua penitência

Morra ou viva, não transite nessa linha perigosa
Dos medos, receios e pudores
A pseudo-poética do Caos!

Acredite em si!
E apague tudo o que escrevi!




Sou a contradição que se contradisse




Diego CR



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Quarta-feira, Outubro 15, 2008

Meu desejo
Poema do Marcelo para o livro Sobre o Desejo Masculino



Meu desejo-vejo, sinto pressinto ao longe
Vem correndo, vem sedento, vem não sei de onde
Tem dias em que chega torto, tonto cansado
Em noites põe o seu melhor terno e surge arisco, esfomeado
Meu desejo voa, vem vai de trem além de bonde
Se exibe quando a trilha é clara, no túnel escuro ele se esconde
Mas se o objeto é de primeira, de segunda a segunda-feira
Meu desejo se mantém firme, ereto, madeira
Meu desejo é impossível, imprevisível e amoral
Às vezes me faz escravo, as vezes nem faz por mal
Tem horas que fecha os os olhos, babando assim como quem dormiu
Mas de tão cego enxerga até o que eu sei que ele não viu
Meu desejo me provoca, me empurra, me domina e eu não ligo
Sei que é minha alma gêmea e meu pior inimigo
Meu desejo é traiçoeiro, alucinado, as vezes clama por castigo
E quando penso que o matei, foi ele quem acabou comigo.

Do livro Sobre o Desejo Masculino - Ed. Ágalma


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Segunda-feira, Outubro 06, 2008

O CIRCO


Que coisa terrível esse circo! As crianças já não agüentam mais e bebem, tropeçam pelas ruas esburacas, se drogam em becos sujos, elas realmente não suportam mais!!!


Sempre os melhores palhaços e os mesmos espectadores. Nada muda, de repente um tumulto aqui, outro ali, alguns gostam mais do palhaço X, outros gostam mais do Y e outros ainda babam pelo Z. Alguns palhaços empregam pessoas, lhes pagam com comida e um pouco de lazer. Mas o real prazer reside em gozar com o pau dos outros mesmo... o grande clímax sempre é deles, enfiando sua benga sem perdão, sem vaselina, até o talo... E não existem mais virgens!!! Estamos na Suécia abaixo do Equador! O tropicalismo liberou geral!!!
Você não se importa com a benga, poderá descontar isso no árbitro durante a próxima partida ou na sua mulher na próxima briga, nos filhos, enfim... sempre terá alguém mais fraco do que você. O que os palhaços não parecem perceber é que o circo está desabando... Bovespa fecha duas vezes com mais de 15% de queda, o dólar chega a R$ 2,17... mas a crise não chega até aqui, diz o novo ídolo nacional.

Se existe algo de válido nessa última eleição foi o alto índice de abstenção e votos nulos. Somando-os, em algumas regiões, chegaram a 30%. Teve candidato eleito sem adversário com 77% dos votos, como em Veranópolis, município da Serra gaúcha. Isso fora as aberrações de sempre, candidatos que não sabiam o próprio número, mesários bêbados, brigas de militantes, etc...

Fico pensando que se os anarquistas engajados de hoje tivessem mais de dois neurônios (dos quais um é utilizado para repetir Proudhon e outro para atacar marxistas) as coisas poderiam ser de outra forma...
Em São Leopoldo, até fizeram algo interessante, colocaram em algumas lixeiras da cidade um 'Vote Aqui', um protesto bem-humorado, não mais que isso... É cada vez mais fácil de convencer o popular a votar nulo, o difícil mesmo é lhe fazer entender o por que disso...
Por falar em São Leopoldo, aqui ganhou o Partido dos Trabalhadores(?!)... o PT em uma aliança esdrúxula com o Partido Progressita (PP) - isso mesmo, ex-Arena, dos lambedores de coturnos- venceu através do Ary Vanazzi, com 77% dos votos, contra um tal de doutor Moacir, do PSDB, que vendia cirurgia do SUS. Ontem estava viajando (literalmente), e vim acompanhando, até onde o estômago agüentasse, os boletins frenéticos da rádio Gaúcha. Repórteres chamavam a todo o momento, um, dois, três municípios com prefeitos... Depois da troca de comando, do boçal pedetista (que Brizola o perdoe) para o pomposo doutor intelectualóide petista Cláudio Brito, tomei mais coragem para ouvir o frenesi provocado pelo circo eleitoral no jornalismo gaúcho. Brito com um tê (como sempre adverte por motivos óbvios para quem conhece a política dos pampas) fez uma analogia interessante. Disse que essa aliança do PT com PP é uma espécie de 'Síndrome de Estocolmo'. Essa mesma, um estado psicológico que faz com que a vítima comece a simpatizar pelo bandido, no caso conceitual, o seqüestrador. Em outras palavras, o PT, que sempre combateu a Arena e a ditadura militar, assim como o MDB, que depois veio a ser PMDB, se alia ao bandido que sempre combateu, até com uma espécie de admiração.

´Não nos violentamos´. Ok! Não serei manipulador, nem cínico, mas essa frase foi da Manuela, candidata do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) derrotada para a prefeitura de Porto Alegre. O PCdoB estava aliado com o Partido Popular Socialista (PPS), uma facção do Partido Comunista Brasileiro que resolveu unir-se com a direita e depois foi invadida – com mais força no RS, por corjas insatisfeitas da direita em seus respectivos partidos políticos e amasiados. Estava com Befran Rosado de vice, acusado de inúmeras irregularidades à frente da Corsan, quanto foi presidente da autarquia no governo Britto (esse sim, com dois tês). Então, o que a Manuela quis dizer com ´não nos violentamos´ eu não saberia responder, o único palpite que arrisco é que o brioco está tão arrombado que já nem sente mais... afinal de contas, dez anos de política não é para qualquer um, ainda mais com 27 anos...

Em Porto Alegre a situação ficou como o previsto – menos para o Ibope, que dava como certa a ida de Manuela para o segundo turno com Fogaça até dias antes do pleito, quando foi aproximando até um empate técnico heróico aos 45 do segundo tempo. De um lado Fogaça, ex-militante do Movimento Democrático Brasileiro, um lutador pela democracia, que até hoje não teve nenhum ato de corrupção relacionado ao seu nome... Ideologicamente podre, pode-se discutir, mas não teve nenhum ato de corrupção diretamente ligado ao seu nome. Do outro lado do córner, Maria do Rosário, uma petista muito identificada com os direitos humanos e que passou o pleito todo correndo da turma de Genuínos e Dirceus que insistia em apóia-la(?!). Os debates eram hilários.... uma verdadeira briga de bugios, sobrava merda para tudo quanto é lado. Admito que vi alguns, é até melhor do que novela...

Ah, e por falar em corrupção, não podemos esquecer da excelentíssima deputada federal Luciana Genro que disputou o pleito pelo ilibado (?!) Partido do Socialismo e Liberdade (PSOL). A cãodidata, que latia como uma poodle raivosa (agora com o pêlo mais alisados) contra todos os candidatos dos “poderosos” falou muito na corrupção... só esqueceu de mencionar que a sua apoiadora, a retirante porra-louca, Heloísa Helena (que dizem ter as melhores pernas do Congresso Nacional) trocou seu voto, sua honra, pelo baguete do Luis Estevão, na votação de sua cassação pela nossa elegante Casa de Tolerância sediada em Brasília.

Já estou me sentindo político demais... deve ter sido aquela viagem de ontem, aqueles sons, aqueles malditos repórteres chamando... ah, ainda bem que meu cão engarrafado vai me safar de mais essa...

VOTE BEM! NÃO VOTE!




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Segunda-feira, Setembro 15, 2008

O último suspiro do iconoclasta

Ainda em estado de choque! É como se tivesse perdido um pai muito querido que não conheci. Faustin von Wolffenbüttel, ou simplesmente Fausto Wolff, morreu no último dia 5 de setembro e eu fiquei sabendo somente hoje, pois a grande benga midiática, tão ocupada em nos informar, mal informou o lamentável acontecimento. Foi apenas mais um 'maldito'. Um jornalista, alcoólatra e comunista que não parava em lugar nenhum graças a esse espírito deliciosamente inquieto e existencialista radical. Para que dar notícia?
Agora, quando morrer Sílvio Santos, Fausto Silva, Augusto Liberato será comoção nacional. Por que? São perguntas que tão bem, meu pai, meu cicerone jornalístico, saberia responder...
'Uma nação de idiotas', resmungaria e arrotaria entre goles de uísque num buteco qualquer de Copacabana.
Fazia algum tempo que a correria do cotidiano não me permitia ler suas excelentes – às vezes panfletárias demais, admito – colunas no Jornal do Brasil, o único veículo brasileiro que se arriscava a publicar sua verborragia ácida incontrolável.
Me deparei com tudo o que não queria. Fausto Wolff morto. Primeiro achei que era alguma das brincadeiras dele mesmo, esse fanfarrão de mais de dois metros de altura e 100 quilos. Pesquisando... a realidade se desnudou. O monstro do jornalismo tupiniquim, um dos poucos com sangue nas veias, havia sido internado no dia 1 de setembro com hemorragia digestiva e morreu por disfunção de múltiplos órgãos, no Rio de Janeiro, no triste dia 5 de setembro. Não pôde comemorar a 'Independência' nacional, mas disso com certeza ele não sentiu falta...
Conheci Fausto através de um ex-colega de trabalho. Mal sabia que emprestando 'Em nome de Deus' transformaria aquele punk confuso, em um ser ainda mais radical. A partir dali foi intenso, forte, o alemão entrava para galeria dos meus “ídolos às avessas”, ao lado de John Fante, Charles Bukowski, Hunter Thompson, Jack Kerouac e cia. A partir daí devorava seus livros, foram muitas obras, desde o genuinamente – e racionalmente - panfletário ´Imprensa Livre de Fausto Wolff' até os clássicos 'Mão esquerda' e 'O homem e seu algoz'. Isso sem contar seus artigos, que me faziam apaixonar ainda mais pelo verdadeiro jornalismo e despertavam em mim um senso de responsabilidade que minha classe profissional há muito perdera. Não era verdade, Fausto provou isso em vida, que ser comunista antes dos 18 é bom sinal, depois é canalhice. Não era!
Eu não conheci o Fausto Wolff pessoalmente. Provavelmente essa ferida vai ficar assim, aberta, como ficou a de não ter conhecido Raul Seixas, e tantas outras pessoas fantásticas que fizeram a diferença nadando contra a corrente nesse imenso mar de merda que é a humanidade.

Como jornalista que sou, o Fausto me ensinou muito mais do que escrever sendo ácido e irônico na medida certa. Ensinou-me que eu podia mudar, ou tentar mudar alguma coisa, e que nós, profissionais da comunicação, temos uma arma muito importante nas mãos. Talvez por isso a frustração de nunca ter trocado algumas palavras com ele, como esse meu colega e amigo, o mesmo que me apresentou o alemão, que lhe entrevistou durante um dos FSM em Porto Alegre. Lembro quando contou-me. Seus olhos brilhavam. Batia-me aquela inveja boa. Disse que ele arrotava contra tudo e todos entre vigorosas goladas que dava em uma mini-garrafa de uísque que, discretamente, tirava do bolso do sobretudo. Deu uma aula, sobriamente bêbado.

Adeus Fausto [ 1940 – 2008 ]
Vais deixar saudades e uma lacuna enorme na dignidade do jornalismo tupiniquim


menos um ponto para o jornalismo brasileiro
menos um ponto para a humanidade





Agora, a última crônica de Fausto Wolff, publicada postumamente no JB Online no dia 06/09.

'À sombra do medo em flor'


RIO - O escritor e jornalista Fausto Wolff morreu nesta sexta-feira, dia 5, no Rio de Janeiro. Confira a seguir a última crônica do colunista, publicada nesta sexta no Caderno B, do Jornal do Brasil.

À sombra do medo em flor

Dêem a chefia da portaria ao mais dócil empregado e logo ele se tornará um tirano

Já escrevi em algum lugar que, enquanto não nos revoltarmos contra o conceito de democracia que considera sagrado o direito de uma minoria escravizar o resto, jamais chegaremos à condição de seres humanos. Seremos sempre caricaturas, títeres perdidos na ventania, sempre com cara de ?desculpe, não era bem isso que eu queria dizer?.

Enquanto não se der a revolução da humanidade contra a tirania, enquanto deixarmos que nos humilhem para que possamos continuar vivendo, teremos de suportar algumas imperfeições, certos espinhos colocados em nossos sapatos ainda na infância que não podemos ou não queremos tirar.

Uma dessas imperfeições é a constatação de que, à medida que envelhecemos, vamos nos tornando mais medrosos. Quando deveria acontecer o contrário: à medida que envelhece, o homem deveria tornar-se mais corajoso, porque mais sábio, mais justo, mais conhecedor dos seus deveres e direitos.

Quando eu tinha pouco mais de 20 anos, todos os dentes e era um sujeito bonito, era também dado a papagaiadas. Certa vez, ainda noivo (havia noivados e até virgens naquela época), estava no falecido Bar Castelinho, tomando um chope com minha futura mulher, quando um dos donos de uma revista para a qual eu escrevia sentou-se à nossa mesa e se comportou de forma grosseira.

Gentilmente, mandei que se retirasse, pois já tinha de aturá-lo o dia inteiro e não pretendia fazer isso quando estava namorando. Fui despedido no dia seguinte. Na hora, a sensação foi boa, mas eu era muito jovem para perceber que os rateios estavam contra mim.

Outra imperfeição: ser burro, viver e conhecer o mínimo do seu potencial energético interior e, além disso, ter de suportar a consciência da sua mortalidade. Algumas pessoas percebem isso, mas, como são ignorantes, aceitam o princípio nada otimista de que a vida é um absurdo porque acaba na morte e, como dizia Camus, o homem vive e não é feliz. Essa constatação é tão angustiante que, sem uma garrafa ao alcance da mão, é difícil resistir à tentação de não dar um tiro na têmpora.

Hoje em dia, em pleno século 21, a grande maioria de escravos aceita essa condição fingindo não saber dela, fingindo que a vida é assim mesmo. Uns entram com o pé e os outros com o popô, uns com o pescoço e os outros com a foice. Excetuando os psicopatas que, aparentemente, já nascem tortos, alguns poucos escravos se rebelam e saem fazendo bobagens: roubando, assaltando, matando, estuprando.

Quando isso acontece, todos ficam com cara de tacho, fingindo que não têm nada a ver com o peixe. Em seguida, os políticos pedem ?responsabilidade criminal aos 16 anos?. Logo, pedirão responsabilidade aos 15, 14 e cosi via. Cosi via significa que aumentará o número de crianças assassinadas ao nascer; aceitação literal da loucura religiosa de que o homem já nasce pecador. Claro que essa lei só valerá para crianças pobres.

Sou contra a pena de morte, mas, como a tragédia, mesmo quando coletiva, é sempre individual, o que eu faria se matassem alguém indispensável à minha vida? E se alguém tirasse a vida de uma pessoa e, ao fazer isso, me deixasse aleijado interiormente pelos anos que me restam?

Como não acredito na Justiça e também não acredito que podemos julgar oficialmente os efeitos sem punir as causas, eu simplesmente mataria o assassino. E o faria pessoalmente, com as minhas mãos.

Em seguida, cidadão exemplar que sou, me entregaria ao juiz. Não teria resolvido nada, mas como sou humano em estágio ainda bárbaro, pelo menos isso atenuaria um pouco a minha dor.

Como vejo a coisa hoje? Dêem a chefia da portaria de um edifício ao mais dócil dos empregados e logo ele se tornará um tirano para agradar ao poder imediatamente acima dele.

O poder ama a si mesmo e aos poderosos. É tão implacável na sua injustiça que consegue convencer mais de 100 milhões de brasileiros adultos de que devem escolher entre o algoz da esquerda e o da direita. E nada acontece.



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Quarta-feira, Setembro 10, 2008

Charlie Brown




- Charlie Brown, você sabe o que é o amor?
- Sei. Meu pai saia com sua namorada e sempre abria a porta do carro para ela. Enquanto ele estava dando a volta por trás do carro para entrar pelo outro lado, ela trancava a porta por dentro e ficava zombando dele. Isso é o amor.
- Charlie, acho que você tem problemas...


- Eu já sei como resolver esse problema. Devo dizer mais olás. (sobre a dificuldade em adaptar-se a vida sem Snoopy)


Fazia tempo que não tinha contato com a genialidade dos desenhos do Snoopy. Foi muito bom mesmo, no meio de tanto lixo na televisão, encontrar ' Snoopy, volte para a cas' no SBT.




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Quarta-feira, Setembro 03, 2008

Conhecido pela minha verve defensora dos animais, fui convidado à participar de um programa na Rádio ABC 900 AM, do Grupo Sinos, que tratava do uso de peles de animais para o vestuário. Ontem, pesquisando alguns dados rapidamente, cheguei à conclusão que os argumentos que levaria - e levei - seriam mais humanistas do que simplesmente científicos. Presumindo que fosse ser atacado por amantes de peles, pois eram editorialistas de um veículo de moda, para o qual também faço matériais sobre mais indústria e mercado do setor, me surpreendi. Foi um programa relativamente tranqüilo e bem humorado que, infelizmente - para mim, passou rápido e deixou muita coisa para ser dita. Enfim, sem mais delongas, vou disponibilizar aqui o resultado de minha breve pesquisa:

PELES

- O MÉTODO MAIS UTILIZADO PARA MATAR ANIMAIS QUE SERVIRÃO DE “ABRIGO” É A PAULADA. A PELE É RETIRADA COM O ANIMAL AINDA AGONIZANDO. O MÉTODO É UTILIZADO PARA NÃO ESTRAGAR A PELE DO ANIMAL. OUTROS SÃO TAMBÉM UTILIZADOS EM LARGA ESCALA SÃO: ESTRANGULAMENTO, ENVENENAMENTO, AFOGAMENTOS OU ATRAVÉS DE CHOQUES.

- NO ÂMBITO DOS ANIMAIS CRIADOS EM CATIVEIROS, MUITOS NASCEM COM DEFORMAÇÕES E HEMORRAGIAS POIS SÃO CRUZADOS ENTRE PARENTE CO-SANGUÍNEOS.

- SEGUNDO DADOS DO PETA 3,5 MILHÕES DE ANIMAIS MORTOS TODOS OS ANOS PARA SE FAZER CASACOS DE PELES.

- JÁ OS ANIMAIS QUE NÃO SÃO CRIADOS EM CATIVEIRO E TÊ A MORTE DESCRITA NO PRIMEIRO TÓPICO SÃO CAÇADOS E FICAM APODRECENDO EM ARMADILHAS DURANTE DIAS SENDO QUE ALGUNS ROEM AS PRÓPRIAS PATAS PARA PODER FUGIR. ESSES QUE CONSEGUEM A FUGA LOGO SÃO CAPTURADOS OU POR CAÇADORES OU PREDADORES NATURAIS DEVIDO A SUA DEBILIDADE QUE FACILITA O FATO.

- EM ALGUMAS FAZENDAS AS RAPOSAS TÊM SUAS LÍNGUAS CORTADAS E SANGRAM ATÉ A MORTE PARA MANTER A PELE INTACTA.

- ANIMAIS MAIS VISADOS NO MERCADO: CHINCHILA, VISON, COELHO, BEBÊS FOCA, ARMINHO, MINK, RAPOSA E GUAXININS.

- ANIMAIS EM NÚMEROS:
PARA SE FAZER UM CASACO MÉDIO É NECESSÁRIO – ESTIMATIVA POR ANIMAL

125 ARMINHOS
100 a 200 CHINCHILAS
70 MARTAS
30 RATOS ALMISCARADOS
30 COELHOS
27 GUAXININS
17 TEXUGOS
14 LONTRAS
12 RAPOSAS
11 LINCES
9 CASTORES

- NA CHINA MUITOS CASACOS SÃO FEITOS COM PELES DE CÃES OU GATOS. NAS ETIQUETAS CONSTAM QUE SÃO DE OUTROS BICHOS SELVAGENS.

FONTES DE PESQUISA: PETA E ANIMALS VOICE




SAIBA MAIS:

VÍDEO SOBRE CASACOS DE PELE: http://www.youtube.com/watch?v=tb76YF9Uu60&eurl=
SITES: http://strasbourgcurieux.free.fr/fourrure/portugues.php
http://paredesdevidro.com/
www.pea.org.br
www.peta.org
http://www.holocaustoanimal.org/vestuario.htm
http://www.accaoanimal.com/site/content/view/285/201/


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Sexta-feira, Agosto 22, 2008

Paredes De Vidro - agora você pode ver!

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Sexta-feira, Agosto 15, 2008

Sobre a solidão


´Uma coisa eu aprendi na vida: nascemos e morremos sozinhos´. Meu amigo instantâneo é quase tão maluco quanto o que passa na minha cabeça com essa frase/ensinamento. O que parece ter saído diretamente de um livro de anti-ajuda (sic), soando ´best seller´ demais, tocou-me. Não pude deixar de retornar lá para minha solidão uterina. Meus movimentos cuidadosamente planejados, meu encolhimento perfeito, com as mãozinhas de dedos finos tocando os joelhos, envolvido pelo bem estar e toda a eternidade santificadora da proteção materna. Sozinho. Sozinho eu nasci, apanhei para poder chorar e até tive boas notas, pelo menos, nos testes da maternidade. Sozinho. Não me jogaram o ´cordão umbilical para voltar´, como passei a minha adolescência indagando ao som de ´I hate myself and I want die´. Drogas, álcool, buscas desesperadas por auto-conhecimento. Amigos, mulheres nuas, sacanas ou puritanas, todos(as) fizeram parte desse caminho solitário até aqui. Alguns momentos intensos, fortes, intensamente apaixonados que me fizeram e fazem sentir vivo, mas na noite, depois do sexo e dos entorpecentes, eu apagava com a minha consciência nem sempre limpa. A minha tapeada ética nunca evitou que ficassem alguns arranhões e sangue fresco no piso gelado. Eu preferia me afogar com minhas lágrimas, suas lágrimas. Sozinho.
O meu objetivo existencial é sair dessa vida com o menor número de arranhões. Sim, a tarefa é árdua, mais árdua para um ser humano, pretensiosamente, humano, que tem uma empatia fora do normal. Tratamentos de choque, drogas, psicólogos, psiquiatras, doenças que vão e vem, permanecem e reproduzem-se sistematicamente com os meus pesadelos e paranóias. A gastrite, o refluxo, o álcool que me chama com uma empáfia apaixonada. Sempre sozinho ´vendo as pedras que rolam sozinhas num mesmo lugar´.
Quando me falou isso, em meio à espera cafeinada e ansiosa para alugar o cérebro por alguns centavos que manteriam migalhas de dignidade e moral, eu parei. E se não arriscasse? Como saber? O que fica da vida, senão os arranhões e as glórias? Não, elas nunca batem na porta como o carteiro, um vizinho chato ou uma visita, sobriamente, indesejada. Eu já havia aprendido que vivemos num vazio, preenchido por ilusões, tão irreais quanto a salvação. Tão real quanto o meu, o seu trabalho, e a corrida sem sentido em busca do status-quo. Eu tentei e perdi. Não foi a primeira, nem será a última vez. Ah, essa intensidade, o ´ it´s now or never´, a angústia e a hiperatividade nem sempre racional. Um dia eu acertarei e me embriagarei de amor e paz novamente. Para quem desistiu de vencer há um bom tempo, isso não chega a ser decepcionante. O pior de tudo nunca é poder sofrer sozinho. Eu, diferentemente do Cazuza, ´não consigo fazer mal a mim mesmo´ somente, apesar de estar sozinho. Será esse o grande enigma da vida? Camus errou? Hoje vou me afogar em suas lágrimas escutando alguns sons e banhando-me de uísque. Sozinho.
Quando eu morrer, cedo ou tarde, estarei solitário. Naquela cama de hospital, os lençóis desgrenhados como mamãe não gostaria de ver, o sangue vomitado na bacia, os aparelhos nebulizadores, o sofrimento... Eu estarei vendo todos vocês que me amam, amaram ou amariam, tristes e chorosos com o drama humano... Sozinho.


´Conserve seu medo, mas sempre ficando sem medo de nada, porque nessa vida não se leva nada´ Raulzito



Diego CR

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Segunda-feira, Agosto 04, 2008

NOITE

- Oh noite, talvez pelo seu tamanho, me faz
sentir um corpo estranho, não lhe posso pertencer -
Marcelo Nova



Alguma coisa não está certa. Não, não é a rede sem sinal, nada disso. Parece que dessa vez a solidão bateu mesmo, pegou de jeito meu fígado. Eita, bichinho mais existencialista esse. Sempre pregando peças para provar que está vivo.

Ontem Cagaski foi num buteco, aliás, um bar. Bem legal até, eles não aceitavam cartões e isso até o deixou feliz apesar de andar alguns bons quarteirões atrás de um bancário eletrônico. A bagatela de sete pilas dava direito a uma cuba. Cuba o caraleo, era um samba ajeitado com um limão podre boiando. Até canudinhos! Mas estava lá pelo rock e claro, alguma mulher que pudesse lhe fazer companhia na cama. Mas quanto ao segundo plano, nem estava muito otimista, de forma que simplesmente pegou o trago e sentou numa mesa, de canto. Tinha pouca gente, e isso era bom. A banda era interessante, só covers como sempre. Cagaski nem olhava muito para o palco, o que desviava seu olhar era uma loirinha, um anjinho que servia o trago e petiscos. De formas torneadas, ela aparentava a timidez pura, quase infantil... Quando ela veio trazer os petiscos – que também estavam inclusos na bagatela – tocou nas suas costas. 'Cortesia da casa', disse sorrindo e saiu apressada. Pensou em dizer para ela que geralmente ficaria indignado com alguém que o encostasse, mas com ela nunca. Mas deixa disso, que coisa cafona, é o Wando reprimido de Cagaski. Aliás, apenas uma parte da sua esquizofrenia.
Tempo passando, um, dois, três uísques até que surge uma criaturinha na sua mesa. 'Posso te apresentar para uma amiga?' O que se diz numa hora dessas, porra? O risco era grande, visto que 90% do recinto era habitado por espécies variadas de dragões. Mas tudo bem, se fosse ela... 'Claro, acho que sim. Onde ela está?'.
Levou-o para um balcão, três meninas sentadas. A única que Cagaski pediu a papaidocéu para não ser a tal amiga, era a amiga. PUTAMERDA! Nem todas as garrafas de uísque vagabundo do mundo o fariam encarar aquilo. Ela era publicitária e aparentava ter mais de 200 quilos bem amontoados num jeans grudado ao corpo. Se aquilo estourasse matava metade do bar. A magrinha o pegou pelo braço e o levou para frente do palco. As coisas estavam melhorando. Papo e papo, elas pareciam estar dançando funk, mas tudo bem... é sexy. Com exceção da amiga, evidente. Num dos movimentos a magrinha desajeitadamente derrubou o uísque de Cagaski que estava no final. 'Tudo bem, vamos para o bar, já tava uma água'. Ela o pegou pelo braço de novo. Que coisa mais dominadora. Pediu o uísque e ela queria pagar. Pensou em falar algo sórdido como só um ser vil como ele poderia dizer, mas só pensou. 'Ah, deixa que eu pago'. No meio do caminho parou para resolver isso da forma mais racional possível. 'Olha, eu não vou ficar com a tua amiga', pensou em perguntar onde ela tava com a cabeça quando resolveu apresentar para amiga, mas logo notou. 'Será que tua amiga vai ficar braba se eu ficar contigo agora?'. 'Só há um jeito de saber'. Há! Ética da noite. Quase desossou a criaturinha. Tinha 19 aninhos e não sabia beber, quer dizer, beber com classe. Ou se tem, ou não tem. Ela estava eufórica depois de umas caipiras e ele já estava no décimo uísque achando aquele espetáculo deprimente. Queria que ela calasse a boca e beijava-a. A noite transcorreu normalmente. Foda foi ver a loirinha passar por ele que, torto de bêbado, lhe deu talvez a última 'pedrada'. Ela baixou a cabeça e saiu apressada para servir petiscos para uns bêbados pentelhos. Tudo bem, nunca se tem tudo, ainda mais se tratando de um perdedor por opção, o Cagaski. Só se perde porque se tenta (há, momento auto-ajuda).
Elas ficaram lá dançando, o nosso anti-herói dando uns amassos na guria que já era praticamente um cadáver nos seus braços. Tava torta. Se ela desse pra ele, isso seria um estupro, não? Nunca treparia com uma mulher naquele estado. Bom, estava bêbado também, mas de pé e conseguindo discernir suas pernas dos seus braços. De repente, ela saiu com a amiga, uma outra amiga, para o banheiro. Vomitar, evidente. Ela voltou com a amiga, que o deixou um papel anotado com endereço e telefone para uma 'festinha' no domingo. Pô, essa amiga dela era bacana. Parecia mais velha e bebia com uma certa classe. Mas odiava rock e só falava 'estou fora da minha praia'. Ah, Cagaski vivia fora da sua praia e não ficava reclamando, porra! Buenas, agora Cagaski está aqui podre, fez as compras do dia, uma caixinha de epocler e uns livros baratos. O uísque do lado diz para tentar novamente, mais uma noite. O fígado rebate clamando por uma manhã na praia. Dormir não vai conseguir. Adivinha o que vai fazer?
A característica principal da solidão é estar cheio de pessoas em volta e sentir falta de uma, a essencial. Quem? Não sabe, mas ainda descobrirá. O tempo e seu fígado contarão essa história depois.




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Domingo, Julho 27, 2008

Resenha de 2006
Fica ela e a dica de uma boa leitura!
em breve, textos inéditos.

saudaciones borrachos




Vagabundos Iluminados
Por Diego CR


Desligue a TV
Feche os olhos
E saibas que, no fundo
Nada disso é real.




Estou fazendo meu trabalho de conclusão de curso. Os mercenários da educação programada chamam ele também de monografia e me obrigam a faze-lo para me formar. Me formar um cidadão bem quisto pela sociedade, acima de outros menos instruídos e, acima de tudo, pobres. É o diferencial, se trata da segurança do Sistema. Pouco importa se sou um sujeito bom, importa é o meu diploma. O que importa, no fim das contas, é minha utilidade para a manutenção da sociedade, trabalhando de acordo com as normas estabelecidas querendo ser o que, abstratamente, chamam de “alguém na vida”.
Tive um intervalo dessa loucura para poder pensar um pouco. Li Vagabundos Iluminados, do Jack Kerouac. Muito bom livro, fora toda aquela pregação budista que, ás vezes, enche o saco. Mas é aquela coisa, quando o cara é foda, como o Kerouac, qualquer merda vira obra literária, Bukowski que o diga. Aquela prosa rápida e ... alguns ensinamentos - devo admitir!- me fascinaram. Nem tudo é baboseira. O mais interessante é essa concepção passada no livro, de que o mundo é um vazio e todo o sofrimento pode ser anulado se tu quiseres. Deixa claro que a mente é o guia supremo de nossas ações sendo que se fecharmos os olhos e pararmos de pensar, perceberemos que nada disso é real, que o mundo é um vazio pronto para ser preenchido por nós.
Se tudo é nada, então porque nos preocupamos tanto em ter, mais em ter do que em ser? Que mundo doido é esse que nos fez seres presos na consciência? Se pudéssemos pensar, pelo menos de vez em quando, se o mundo nos desse tempo... E essa obra coloca justamente isso, a impressão de que dar um tempo do mundo, ser um vagabundo iluminado é importante para entender ou procurar entender a existência humana. Como consta no seu prefácio, o livro é um On the Road zen budista. Toda aquela freneticidade de sua mais famosa obra em viagens doidas regadas a muito vinho e sexo, mas desta vez com um toque de tentativas desesperadas de auto-conhecimento. Certamente, o livro, as vezes, cai na pregação dogmática que só é possível quando acreditamos de coração em algo, o que é bom. Crenças descartáveis fazem parte do cenário pós-moderno sendo que quando vemos uma crença sincera, mesmo não concordando, devemos respeitar.
Parabéns Kerouac!

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Segunda-feira, Junho 23, 2008

O TATU


É isso, sobre tatus. Aqueles tatus-bola que brincamos quando somos pequenos, tu tocas nele e ele se encolhe. Isso mesmo. Se não tiver seguro, o tatu se encolhe, ele se encolhe e lambe os próprios pés, sua única companhia.
Mas teve um belo dia, desses de sol nortuno refletido nos sorrisos, e estrelas brilhantes, em que o tatu resolveu sair. Arriscar-se, afinal de contas, fazia tempo que não via o sol verdadeiro. Ele foi. Esse tatu toma cerveja, daí ele ia encontrar uma outra tatu (ou não) que também bebe, cerveja preta e doce, mas bebe...
O tatu pegou sua lata móvel, quase bateu num engarrafamento de várias latas cheias de espécies de tatus eretos e sorridentes. ´Oh oh, eu sou um tatu esticado hoje!!!!´. Pegou a pretensa tatu no lugar combinado. ´Olá pretensa tatu, tatudobem?´
Papo vai, papo vem, parecia mesmo que o tatu tinha encontrado alguém da sua espécie, pelo menos aproximada. Ah, essas tatus eretas sem nada no cérebro! Gostava das tatus como elas eram, honestas e sensíveis assim. Ok, o cérebro de um tatu pode não ser muito capaz, mas não usá-lo pode ser pior ainda. A linguagem dos tatus era bem semelhante. Passaram algumas horas, e o tatu precisou levar a quasesua tatu para casa, afinal de contas, tatus trabalham muito, cavando na lama, sempre cavando na lama...

- Me dá um abraço – disse a pretensa tatu.

PRIMMMMMMMMMM PRIMMMMMMMMMMPRIMMMMMMMMMMM
(merda!)

...

- ...ah, eu te dou muito mais que isso. Pode ser as estrelas ou prefere um tatu plástico para te facilitar a cavar na lama? Acredita em milagres?

Os tatus plásticos eram a última invenção da indústria de ponta. Altamente tecnológicos, esses tatus poderiam cavar uma vida inteira sem nunca ter para onde ir. Mas eram caros. A maioria das tatus eretas queriam os plásticos. Davam menos trabalho, não bebiam, não tinha recaídas e nem assistiam futebol.

- É melhor não – esquivou-se a pretensa tatu um pouco nervosa
.
- Ok. Tchau. Terá próxima oportunidade?

- Tchau...

Os três pontinhos fizeram com que o tatu não se encolhesse, como geralmente fazia. Foda-se, é apenas gramática, mas para esse tatu significava muito (a contradição). Pegou sua lata e deu umas voltas na cidade, pois o tatu, assim como outro tatu da mesma espécie, chamada Ébria Sapiens, “se perdia até em porta giratória”.
Então esse tatu veio, 120, 140, 150 km, tá menos, menos, senão desmonta essa lata velha. Só pensando na quaseSUAtatu... as estrelas e o sol da noite brilhando pareciam apenas mais uma parte desse ritual puro e verdadeiro que acabara de presenciar.
No outro dia, o tatu foi cavar na lama para receber seu alimento. Cavou, cavou, mas tinha aquela tatu em mente, que deixou tudo mais fácil. Alguns tatus vaidosos tentaram brigar, mas nada podia abalar sua confiança. ´Ah, quanto tempo não me esticava assim, até as articulações mais banais doíam´.

- Olá tatu, tatudobem?

- Sim.

A tatu parecia diferente...

- Me decidi. Tu és muito legal, um bom tatu realmente, mas eu vou optar pelo outro tatu de plástico. É mais fácil e estável. Foi questão de tempo, nos encontramos tarde demais, e aquele tatu já havia arrebatado meu coração.

- Funciona por ordem de chegada ou sentimentos honestos?

- Tu és muito legal...


O tatu se encolheu. Mas dessa vez, seus pés tinham outro sabor. Era chão, o tatu tinha andado rumo a alguma coisa, algo desconhecido, mas muito honesto. Era um tatu apaixonado...


Dias depois, o tatu escreveu o seguinte na lama:

Como ter saudades do que nunca conheci?
Pergunte isso, para mim
Se a escolha é entre desiguais
Então porque escolher?
Não basta o W.O?

Sim, ´como escolher entre algo que nunca ´tive´´?
Teve, teve, é um verbo no passado...
Mas...


Foda-se a gramática!
Vamos rasgar a técnica, a nos jogar na paixão

Tu teves, tens e terás... pelo menos até a próxima chuva chegar.




Diego CR

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Terça-feira, Junho 17, 2008

A poesia está guardada nas palavras
É tudo que eu sei
Meu fardo é não entender quase tudo
Sobre o nada eu tenho profundidades
Eu não cultivo conexões com o real
Para mim poderoso não é aquele que descobre o ouro
Poderoso pra mim é aquele que descobre as insignificâncias do mundo e as nossas
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil
Fiquei emocionado e chorei
Sou fraco para elogios.

Manuel de Barros

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Segunda-feira, Maio 26, 2008

Perdido, no lugar da bula de um dos remédios...


Ah, essas notas!
Quantas noites de trago
sexo e chocolates

Mas a arte é assim
O sentimento acaba com a obra
e a poesia pura dos coração
não pode resistir
a natureza funesta das emoções

É assim, amando
com o coração em frangalhos
e atacado pelo frio da solidão...

Eu me despeço
Eu, as notas, as lembranças

Quem sabe, num dia como outro qualquer
nos cruzamos
pelos mercados da vida?

Sejam bem-vindas
as notas
as lembranças
as doenças do coração.


Te amo!


Diego CR

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Sábado, Abril 26, 2008

Do início que começou




- Hei! Hei! Joana!

Ela andava apressada, cercada de jornalistas desesperados por uma foto, uma fofoca, uma nota no jornal e algumas doses a mais de adrenalina ou uísque. No primeiro momento ela pareceu não me ouvir.

- Jô!

Linda, com um olhar vago, como sempre. Ela me olha e sai no meio daquele bolo de merda com gravatas e ternos Armani. (evento chique, a high society carioca consumista de cultura se fazia presente).

- Jô! Quanto tempo? Muito boa essa tua peça. Como tu estás? Viajei do Sul só para te ver aqui hoje. E a Mônica?

- Henrique. Que legal... - diz olhando pro lado, desconfiada. Vamos sair desse antro e conversar melhor.

Saímos. Os jornalistas apressados, atrás dos seus empregos. Cruzamos a porta, ar, táxi!

- Copacabana, Rua das Camélias!

- Ufa! Que sufoco. Agora me diz. Como tu estás? Achei muito boa tua peça. Será que as pessoas entenderam o que quer dizer?

Joana tinha escrito esse texto ainda no último ano da faculdade de Cinema. Éramos colegas. Os mais amigos, os sofredores, os pensadores burros e teimosos. Faz uns três anos que terminamos o curso. Ela veio pro Rio, deixando nossas noites de sexo, drogas e rock´n roll para trás. E eu, nunca achei algo parecido com ela. A escuridão da noite me convencia disso. Por mais anfetaminas, haxixe e uísque que tomasse não encontrava luz nas estrelas. Ficava ali, pensando nela. Semimorto...

- Ah. Eu estou bem, cansada, mas bem. Tu continuas o mesmo. Cheio de perguntas...

- Sim, o mesmo apaixonado pela vida...

- Eu acho que as pessoas não entenderam porque elas aplaudiram. Sempre desconfio de que a alta sociedade carioca sofre de algum retardo mental. Como vou levá-los a sério se me aplaudem?

- Só a carioca?

- Não. Preciso achar o pedro.

Pedro era como chamávamos o haxixe. Fiquei feliz que ela tenha levado essa mania juvenil consigo. Um apelido carinhoso, conferido num dia desesperado na intenção de enganar papais zelosamente conservadores. Ela começou a mexer na bolsa. Quanta bagunça! Eu nunca entendi as mulheres. 90% do que tem ali, ela nunca usa. Só usa isqueiro, camisinhas, as buchinhas de haxixe e os comprimidos de anfetaminas coloridas. A saia dela sobe, deixando suas belas coxas a mostra. Quase lá.
- Ah, achei!

- Seus merdas! Vocês não vão acender isso aqui! – grita o taxista.

Um velho. Não tinha olhado seu rosto ainda. A pele esburacada e o semblante odioso mostravam um homem cansado. Cansado de tudo, bom. Nós também! Tínhamos muito em comum. No fundo só precisamos de um sorriso sincero ou uma bala no lado esquerdo do cérebro.
Ele pára o táxi abruptamente.

- Desçam!

- Nem sei onde estamos – fala Jô.

- Está no meu táxi, sua vadia! No meu táxi e tentando acender um baseado de merda que acha que é haxixe.

- Foda-se! Seu velho imundo! Estuprador da noite!

Saltamos do táxi. Ele arrancou.

- Bom, devemos ter poupado uns 15 reais.

- É.

Ela acende o baseado. Era uma bomba. Fazia alguns meses que não fumava nem maconha, muito menos haxixe. Mas fumar com mulheres, ainda mais com Joana, me trazia ótimas recordações.

- Eu achei genial a parte que tu encarna o Nietzsche comunista. Muito bom! Aquele ar soberbo, cheio de razão... aqueles discursos inflamados e mentirosos, crenças de plásticos que no fundo todo mundo sabe que é merda. Tudo é merda! O teu Niezstche, sendo quem é, sabia disso e mesmo assim falava nas merdas... eu achei isso genial! Saber da merda que se faz, eis a única questão com algum sentido.

- Brincar de manipular mentes e crenças é um crime deveras engraçado. Eu acho. Às vezes eu me sinto mal por não conter o riso em frente alguma gritaria da igreja universal, mas fico com raiva também porque ainda quero mudar alguma coisa.

- Tua peça deveria ser de comédia, não de drama. Além do mais, ninguém deve ter entendido aquilo tudo como drama. Senti-me num circo.

- Mas estava no circo.

- Ah é. Nunca deixa as máximas políticas, né?

- Está me dando sede. Vamos encontrar um boteco. Sempre me sinto uma comunista nos botecos.

A vantagem de ser comunista? Consciência mais tranqüila, talvez. Apagou o último terço da bomba e fomos andando pela rua escura. As nuvens carregadas indicavam que logo iria começar a garoa que caracteriza a cidade maravilhosa. Como não retroceder alguns anos? Aquela menina linda, de coxas grossas saltando da mini-saia de couro. As olheiras profundas e o desinteresse por todas as coisas. Ela andava um pouco a frente, de forma que me deixava hipnotizado com o balanço de suas nádegas duras e redondas. Joana nunca malhou, pelo menos na época da faculdade dizia odiar esses ambientes. A perfeição de seu corpo quase me fazia acreditar em deus. Achamos o boteco.



- Nesse aqui!

Ela disse arbitrariamente, já entrando no recinto. Joana e sua bunda maravilhosa. Ah, elas poderiam dominar o mundo se quisessem. Que burras! Elas querem ser mamães exemplares, ter um amor para ver filmes com pipoca em domingos nublados. Que bobas!

- Uma polar!

- Ãn?

- Aqui, não tem polar.

- É. Uma cerveja.

- Um minuto.

Ela me olhava fixo. Era alvo de fulminantes ataques da deusa da guerra, da batalha voraz entre a existência e o desespero. O sexo, o estômago, o cérebro desgastado e todas as verdades do mundo estavam ali naqueles olhares.

- Henrique, estava me lembrando da época da faculdade. Como éramos felizes sem compromissos que não fossem os porres homéricos, as anfetaminas e haxixe sem hora marcada. Agora estamos aqui, num bar. Uma da manhã e eu estou com sono, precisando ir para a casa cuidar da Mônica.

Mônica era mais uma filha do mundo. O pai ninguém conhecia. Foi no último ano da faculdade. Lembro até hoje o dia em que descobriu. Seu rosto desesperado e feliz. Ela dizia: “achei um sentido! Achei a PORRA de um sentido”! Dizia isso por cinco minutos consecutivos e aí caia no choro. Eu a consolava. Não, o filho não era meu. Como eu era uma das poucas pessoas com quem ela trepava e sabia o nome, me pediu um exame de DNA que fiz sigilosamente. Não era. No dia do resultado, não soube o que sentir. Seria lindo também encontrar um sentido com

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minha estrela perdida Joana. Mas foi um alívio pra mim e pra ela. Joana achava que, se tivéssemos um filho, seria o fim da nossa amizade. Bobagem!
Nos intervalos dos choros e da euforia, trepávamos. Banheiros, moitas, carro, tudo era lugar.

- Porra, essa cerveja de vocês é uma água. Que isso? Ah, Colônia. Lá no Sul nem servem essa bosta nos bares...

- Ah, o Sul, o Sul, cala boca pequeno príncipe. Eu vim pra essa merda tentar a vida porque lá no teu amado Sul eles matam os anjos aos poucos. Eu vi Elis quando era pequena. Minha mãe me levou num show. Vazio. Estava vazio. A pimentinha cantou algumas músicas sem muita vontade e foi embora. Na outra semana foi encontrada morta. Overdose. O Sul a matou.

- Não é bem assim...

- É sim. Aqui no Rio e em São Paulo, Nei Lisboa e Vitor Ramil são mais conhecidos do que lá. Sabe por quê? Estão escutando músicas tradicionalistas e escutando o créu. Já ouviu falar em Fausto Wolff? É uma jornalista e escritor de Santo Ângelo, que veio pra cá trabalhar porque no Sul não teve nem oportunidade de foder sequer uma linha.

- Joana, vamos trepar? Tu ficas ainda mais linda com esse discursinho engajado. Sinto-me um adolescente fogoso escutando uma Mercedes Sosa ao invés de gorda, gostosa, vomitando suas palavras de ordem.

- Bom, a cerveja já acabou. Onde tu estás dormindo?

- Sei lá. Cheguei hoje para ver tua peça. Vou ver algum hotel aí.

- Não! Vamos lá pra casa.

- E a menina?

- Está dormindo a essas alturas. Sempre peço pro zelador, seu Carlos, colocá-la para dormir.

- Tu confias nesse zelador?

- Sim. Estou morando lá desde que vim pro Rio. Ele me acolheu como filha. Logo na minha primeira noite passei mal, apaguei e vomitei todo o apartamento. Ele ouviu o barulho e correu lá. Bateu na porta e como não abri, arrombou-a com um pontapé. Eu estava morrendo sabe, morrendo, a Mônica chorava no canto e eu tentava falar com ela. Cada tentativa de palavra saltava vômito com sangue da minha boca. Foi feia a coisa. Eu tinha tomado uma garrafa e meia de uísque com anfetaminas. Carlos primeiro tirou Mônica do local e levou para sua casa, deixando-a com sua mulher. Subiu novamente e sabe o que ele fez? Deu-me um tapa na cara. Tão forte quanto nunca tinham me dado. Eu esbocei uma reação, e sim, tive uma reação. Abracei-o com todas minhas forças sujando sua camiseta de propaganda da Texaco de vômito e sangue. Acordei no hospital. Fiquei ali na UTI, vendo mortos irem, semimortos chegarem... Até que apareceu Carlos. Ele estava realmente furioso. Falou com alguns enfermeiros que me liberaram e voltei com ele para o prédio.

Carlos tinha não mais que 60 anos, mas aparentava uns 80. Judiado. Tinha dois filhos adolescentes e vivia junto com eles e a mulher, a Tereza, que tinha, pelo menos, metade da idade dele. Era pobre, mas nem por isso sofria. Sempre com um sorriso no rosto. Era do tipo “arigó”. Fazia tudo direitinho, conforme o síndico ordenava. Nunca reclamava. Isso era irritante! Os anjos deveriam ser subversivos!

Pegamos um táxi e fomos para o prédio. No caminho, um silêncio permaneceu entre nós até que senti a sua mão a altura do meu pau. Foi o necessário. Virou pedra. Ela riu. Safada!

- 12 reais.

- Ok.

Ela pagou e nós saltamos. Já no elevador, agarrei sua bela bunda com minhas mãos e abri suas nádegas. Um treinamento muscular para o que viria depois. Que bunda!

- Calma, eles filmam lá embaixo.

O prédio era bom. De classe média alta, bem localizado, leia-se longe de qualquer morro onde são entulhados pobres sem perspectivas e comerciantes de drogas para os filhos da pátria gentil e endinheirada.
12° andar.
Ela abre a porta com calma. Quer dizer, com a calma possível para uma bêbada chapada. Errou algumas vezes até encontrar a chave. Eu rezava para qualquer coisa, para que não acordasse a pobre Mônica.
Não deu outra.

- Mamãe! Mamãe!

Ela pula no colo da mãe, como um carrapato sedento de sangue.

- Tudo bem Mô, pode ir pra cama. Mamãe está muito cansada e vai jantar agora. Vai lá, eu fico cuidando pro bicho papão não ir lá. Tá bom? Ah, esse aqui é o tio Henrique, amigo da mamãe. Ele é bem legal, e disse que vai pegar o bicho papão hoje e dar uma boa surra nele.

Concordo com a cabeça e a menina me agradece com um sorriso aliviado e vai em direção ao quarto.

- Porra, Joana. Não se educa mais nenhuma criança com essa estória de bicho papão...

- Ah, enfia essa tua psicologia barata no rabo e vamos ser um!

Ela avança. Tira o vestido inteiro. Essas hippies que me deixam maluco. Sua calcinha é minúscula, branca com algumas rendas. Ela se avança no meu pau, como nos velhos tempos. Ah, que saudade Joana! Chupa-o como se fosse a última tábua – literalmente, agora – de salvação de sua humanidade. Especialista!
Minha vez. Ela se vira e geme. Afundo-me em suas nádegas brancas e me perco num buraco negro onde poderia viver perfeitamente o resto dos meus dias.
Geme! Nossos fluídos se misturam, já somos quase um. Coloco-a de quatro e conecto nossos corpos. Ah, Joana, meu anjo caído e belo! Ela é como eu, não diz “te amo” durante o sexo, mesmo nos amando muito. Temos uma cumplicidade que não cabe em palavras. Além do mais, eu como ela, não misturamos as coisas. Mais uma vantagem.
Terminamos.

- Joana. Tens alguma cerveja decente ou uísque por aí?

- Cerveja tem algumas latas de skol. Sugiro que tomemos esse uísque aqui que ganhei de aniversário e nem abri e depois passamos para a cerveja, para desintoxicar.

Era um Jack Daniels.

- Te amo!

- Seu canalha!

Ela e sua bunda foram até a cozinha. Suas mãos voltaram com dois copos cheios de uísque e gelo.

- E a Mônica. Que idade ela tá?

- Vai fazer sete no mês que vem.

- Ela gosta muito de ti, né? Legal isso. Eu gostaria que alguém gostasse muito de mim...

- É. Eu não saberia mais viver sem minha filha. Já tentei parar com as drogas por ela, para ser uma mãe normal. Mas não dá. Eu penso, os fantasmas aparecem e as drogas vêm até mim.

- Joana, tu és uma das melhores diretoras de teatro dessa cidade, quem sabe do País.

- Obrigada, mas isso não tem nada a ver com drogas.

O uísque estava bom. Na sua vitrola velha, colocou um Lou Reed, Satellite of love. Essa música me lembra chuva, escuridão, nuvens, amor puro e verdadeiro. Quem sabe? Eu nunca pensei em namorar com Joana. Para mim sempre fora um acaso, um acaso bom que poderia perdurar por toda minha vida. Ela levanta cambaleante e vai buscar seus remédios. São anfetaminas coloridas que colorem sua existência. Como viver sem? ´Joana eu te amo! Pare de morrer!´
Não, seria piegas demais. Mas um dia irei dizer. Irei mesmo!

- Quer uma?

- Vou ficar no uísque. Se tu tomar muitos desses não vamos poder trepar. Tu não quer mais trepar?

- Me coma enquanto eu durmo. Eu deixo.

Merda. Ela deve ter metido uma cartela de benzedrina na boca. Aquilo com uísque fazia um estrago enorme. Certa vez, fiz isso. Sem ela, sem ninguém. Já tinha tomado minha costumeira garrafa quando resolvi sair no centro. Era verão, e Porto Alegre tinha se tornado uma cidade fantasma. Nas redondezas da Redenção, farmácias iluminadas que não pedem receitas. Amém! Eu não dormi. Vi raios a noite toda. Nem precisava dormir. Mas cheguei à conclusão de que o sono não é somente uma necessidade biológica, é uma necessidade filosófica. Que merda ficar acordado vendo esses raiozinhos e pensando. Isso deve fazer alguns anos, Joana já tinha ido para sua aventura na terra da garoa. Eu não tinha para quem ligar, com quem falar. Não ia acordar minha mãe, que já sofria com tranqüilizantes para dormir. Fazer o que? Me masturbei a noite toda, me excitando com os móveis da casa.

- Serve mais uma aí, Joana.

- Tu vai tomar tudo seu canalha.

Pega a garrafa e vira uma bela dose. Sem gelo. Ninguém tinha paciência de ir buscar.

- Que vida, Joana.

Passo as mãos nas suas coxas e vou subindo. Ela está alerta e não faz nada para impedir. Prontos para o segundo round. Fomos direto. Sem direito a boquetes. Que coisa maluca, nossos corpos se entrelaçaram e eu soltei um ´te amo´. Joana parou de gemer e me olhou nos olhos.

- Tu não podes me amar, idiota! – gritou.

O brado foi tão forte, parecia que o prédio, a cidade, o mundo poderia ouvir. Não era um grito de ódio, nem de raiva. Era de desespero. Terminamos de trepar, me limpei no seu tapete velho e me servi a última dose do uísque.

- Joana, porque não posso te amar?

- Tu não sabes de nada, seu idiota!

Batem na porta. Enrolo-me no tapete esporreado e vou atender.

- Espere aí Joana.

- Deve ser aquela bicha pedófila do síndico.

E era.

- Que gritaria é essa aqui? – disse agressivamente o homem, que mais parecia um armário metrossexual.

- Duas pessoas em conflitos existenciais, dessas que o senhor não vê nos filmes do Chuck Norris ou na tela quente.

- Você está me gozando rapaz?

- Já gozei. Duas. Foi tão...

Ele vem até mim e acerta um murro no queixo. Eu caio. Desmaio por alguns segundos e quando abro os olhos, ensangüentados, vejo Joana atracada no armário aos berros.

- Sua vadia! Eu avisei, pare de trazer esses marginais para trepar. Quer trepar? Trepe comigo aqui.

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Ele a virou de costas e arrancou seu fino vestido hippie. Eu precisava fazer alguma coisa. Nesse meio tempo apareceu Mônica, chorando, vendo todo aquele espetáculo cruel de ´moralidade´. Com muito sacrifício eu levantei. Peguei um vaso de porcelana pesado e joguei na sua cabeça com todas as forças que ainda tinha. Pegou em cheio. O vaso esfacelou-se na nuca do armário. Ele olhou para trás e gritou alguma coisa. Desabou. Corri para levantar Joana aos prantos.

- Leve a Mônica daqui. Eu cuido disso.

Ela obedeceu e entrou com a menina para o corredor que dava acesso aos quartos.
Arrastei o corpo um pouco para dentro e fechei a porta. O que fazer? Pense rápido, pequeno príncipe salvador. Jesus Cristo das bucetas e cus! Pense!

Batem na porta.
Eu abro.

Era um senhor velho, muito velho.

- O que houve aqui?

- Este homem, me esmurrou e tentou estuprar Joana.

- Como? Meu síndico! O seu Osvaldo nunca faria isso. Onde está ela e a menina?

- No quarto. Pode entrar.

Ele deveria ser o anjo capacho. Um anjo capacho, mas mais vivo que eu e Joana.
O corpo do armário estava ali. Parecia morto. Puta merda! Tentei sentir sua respiração e nada. Viro de costas para ir até a cozinha e, ressuscitado por deus, ele levanta e me ataca com um mata-leão. Não tenho forças para reagir.

- Escuta aqui seu vermezinho. Acha que pode vir aqui e comer minha Joana assim? E a menina, vai dizer que comeu também? Porque aquela bucetinha é reservada para mim.

Ele dizia isso rindo, enquanto eu ia sentido minha visão desaparecer. Cai.

Acordei alguns meses depois. Não sei precisar a data. O primeiro rosto que vi foi de Joana. Ela parecia bem melhor do que há alguns meses atrás.

- Henrique, tu quase morreu. Que susto seu merda!

- Como?

Ela veio e me abraçou chorando copiosamente.

- Tu estiveste em coma por quase dois meses. Os médicos queriam desligar os aparelhos, estava desacreditado.

- A última coisa que lembro é daquele brutamontes ter me agarrado pelas costas e ter dito coisas horríveis.

- Eu sei. Descobri tudo. Depois que tu caíste, ele achou que estava morto e foi para o quarto onde eu estava com o seu Carlos e a Mônica. Ele tentava nos acalmar. Osvaldo estava doido, tinha surtado. Avançou-se em mim, empurrando o Carlos com uma força muito bruta. Carlos bateu a cabeça no armário e desmaiou. Ele me estuprou. Eu não conseguia gritar. Mônica olhava aquilo tudo, chorando e gritando. Ele lhe deu um murro e a apagou também. Violentou-me demais. A benzedrina me deixará imóvel. Eu só conseguia sentir a dor, mas não ter qualquer ação. Então ele me amarrou na cama e partiu para cima da Mônica. Começou a tirar sua roupinha suja de sangue. Não conseguia me desamarrar. Queria morrer. Foi quando vi que Carlos abriu o olho no meio da poça de sangue que tinha ficado ao seu redor. Antes que o monstro penetrasse Mônica ainda desmaiada, Carlos gritou olhando nos olhos do Osvaldo: ´Seu Osvaldo, seu filhodaputa, Deus me perdoe de ter um dia servido ao senhor´. Tirou um trinta e oito da cintura e disparou na cabeça do armário. Dessa ele não saiu. Caiu sobre a menina, de olhos abertos, famintos de ódio. Carlos olhou para mim: ´Desculpe querida. Boa sorte com a menina´. Deu-se um tiro. Seus miolos explodiram na parede branca respingando pelo quarto. Terrível!
Antes de a Mônica acordar a polícia chegou. Desamarrou-me. Uma ambulância chegou e nos levou para o hospital.
Depois do choque, fiquei sabendo de ti, do seu coma e suas poucas possibilidades de vida. Mônica se recuperou bem. Ficamos no mesmo quarto, graças ao apoio dos fãs da high society carioca, que pagaram nossos quartos. Veja, que ironia! Ficamos uma semana internadas. Foram escoriações graves, principalmente em mim. Aquele verme me deixou impossibilitada de ter filhos. Tive que tirar meu útero porque corria o risco de uma hemorragia interna. Mônica ficou machucada, mas só externamente. Deixei-a lá em casa, não quis trazê-la nesse ambiente novamente.

- Que horror! Eu não consigo acreditar. Foi isso mesmo que Osvaldo disse enquanto me esganava. ´A bucetinha dela está reservada para mim´. Mas disse que era teu amante.

- Sim. Logo que cheguei no Rio não tinha um puto e ele pagou os primeiros meses de aluguel contanto que fizesse sexo com ele. Precisava de um lugar para mim e minha filha. Aceitei. Depois consegui contrato com a secretaria de cultura do Rio e parei de precisar dele. Ele nunca aceitou isso. Fazia tempo que não trepava com ele. Agora essa da Mônica me foi novidade. Ela nunca me dizia nada. Eu vou esperar ela se recuperar com os psicólogos e psiquiatras e vou questioná-la se já tinha acontecido algo. Se bem que, pouco importa agora. Mas quero saber.

- Deve saber. Ah, como gostaria de ter matado esse homem.

Estávamos chorando, abraçados, quando o médico entrou no quarto.

- Sr. Henrique. Sou doutor Ronaldo Pinheiro. Você escapou de uma boa, hein rapaz?

- Sim. Pena que o mundo não vai escapar.

- A minha função é lhe recuperar. Você foi muito forte mesmo. Apesar do fígado debilitado, é um touro.

- Obrigado. Mas quando eu saio do hospital?

-Lhe deixarei mais um dia aqui, só por precaução. Os exames apontam uma recuperação plena. Amanhã venho para dar alta. Tenha um bom dia!

- Obrigado. Bom dia!

Passaram alguns minutos depois que eles saíram e o telefone tocou. Sonolento, atendi.

- Ligação de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Parte da senhora Joaquina Andrade. Aceita?

Minha mãe. O que ela estaria pensando a essa altura? Sou órfão por parte de pai, morreu assassinado quando trabalhava na polícia. Foi meu ídolo na infância. Queria ser policia como ele, sair por aí matando “bandidos”. Até que fui crescendo, e percebendo, que o bandido nem sempre está do lado de lá. João, ´cérebro de pólvora´, como o chamavam na corporação morreu novo, com seus 52 anos. Já poderia ter se aposentado, mas preferiu continuar trabalhando porque o salário do INSS não dava para alimentar ele, eu e minha mãe. Eu tinha 16 anos na manhã que recebemos a fatídica notícia. Lembro que havia discutido com ele na noite anterior, pois não concordava com suas ações, de subir no morro invadindo residências e assustando famílias inocentes. Até hoje, quando penso nele, me vem a imagem de nossas brigas homéricas, gritos de ´fascista!´ ou ´débil mental´. Eu amava muito meu pai.
Minha mãe passou por bons bocados comigo, inclusive me tirando da cadeia uma vez que me meti numa briga num show de hardcore e esfaqueei um skinhead. Não o matei. Fui preso. Fiquei em cela individual, pois já estava completando minha faculdade e era réu primário. Dona Joaquina foi me buscar.

- Filho. Eu fiquei sabendo só hoje desse acidente. Achei que estava tudo bem. Teu celular não pega, e quando aconteceu tudo me ligaram para avisar. Fiquei apavorada, rezei muito. Graças a Deus está tudo bem. Como te sentes?

- Mãe, que bom ouvir suas lengas sobre deus. Que saudade! Eu estou bem. Te contaram tudo o que aconteceu?

- Não.

Ficamos quase uma hora falando.

No outro dia, Joana veio me buscar. Suas olheiras pareciam maiores.

- Henrique, o médico já está subindo com tua alta. Vamos embora daqui.

- Bah, preciso de uma cerveja urgente. Meu corpo está sedento.

- Eu imagino;

O médico entra, libera e tudo certo.

Fomos para sua casa e lá havia o quê? Joana havia conseguido polares. Meu anjo. Mônica veio me receber com uma na mão. Agora tenho dois anjos. Preciso de mais?


______________________________________________________________________

Entre porres homéricos, trepadas inesquecíveis, anfetaminas e muito haxixe o tempo passou. Ano passado minha mãe faleceu. Fui para Porto Alegre dar-lhe o último adeus. Havia sido um ataque cardíaco fulminante. Armadilhas do destino. Pensava em visitá-la desde que sai do hospital, mas sempre faltava dinheiro. Estava vivendo do dinheiro de Joana que, periodicamente recebia algumas cifras. Mas seu teatro havia ficado demasiadamente radical e, para seu público, entediante e repetitivo. Eu, desempregado, vez que outra arruma um freela que consumia rapidamente diluído no meu uísque. Não posso dizer que a vida estava ruim. Mônica crescia uma menina linda. Afetada com os fantasmas do passado, como não poderia deixar de ser, mas sempre com um sorriso e uma palavra amiga para quem precisasse. Havia herdado o espírito inquieto e libertário de sua mãe.
Hoje, com meus 57 anos, me sinto fraco. Continuo com meus dois anjos. Joana já não toma anfetaminas por medo de seu coração parar, somente bebe uísque comigo. Eu não temo mais nada, também não ambiciono nada, como nunca procurei a não ser um sentido. Creio que encontrei o mais próximo disso. Ah, os dois anjos. Mônica na faculdade de História brigando com professores que ensinam tudo errado sobre as revoluções. Joana bebendo comigo, encarando com parcimônia nossa recaída sexual. Ela, três anos mais velha que eu, ainda tem um apetite sexual deveras grande para sua idade e seu estilo de vida. Trepamos tranqüilos. Sempre penso que assim vou morrer. O melhor túmulo será sua buceta velha escondida sob seus pentelhos grisalhos.

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Terça-feira, Abril 15, 2008

Buenas,

Amanhã vou me operar. Porra! CÊFUDÊ! Não é mudança de sexo! Vou operar refluxo e uma hérnia hiatal - é um estômago puxado para dentro do esôfago, por aí por aí.
Vou ficar um tempo sem postar, então vou deixar algumas dicas de sítios interessantes nesse monte de lixo chamado web... ah, e também alguns autores que me lembro agora para que, quem não conhece, procurar alguma coisa sobre eles, seus desabafos de celulose.
Desejem-me sorte, ou merda, ou suerte, ou lucky, ou algo que o valha. Ah, e nesse meio tempo meio morto lá no umbral do hospital ou no umbral do meu quarto sem álcool ou antidepressivos e ansioliticos vou terminar um conto. Postarei mesmo se ficar uma merda! Ah, como eu amo ser clichê!

Seguem as dicas:

Sitios: http://www.rizoma.net/hp04.htm
http://www.vegetarianismo.com.br/sitio/
http://www.observatoriodaimprensa.com.br
http://www.midiaindependente.org/
http://www.crumbproducts.com/




Escritores: Hunter Thompson
Jack Kerouac
Charles Bukowski
Friederich Nietzche
Albert Camus
Mario Benedetti
John Fante
Augusto dos Anjos
Fausto Wolff
Allen Ginsberg
mais...


ahhhh, escutem BOTA PRA F
O melhor programa de rádio da intermerd: www.botapraf.com.br

att.


Diegonzo

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